Dados Abertos e a Cidade

Cidades de todo o mundo têm vindo a implementar políticas de transparência. Nos Estados Unidos, Nova Iorque, Chicago e Boston lançaram os primeiros portais de transparência. Na Europa, Helsínquia foi a primeira cidade a criar uma plataforma de dados abertos.

Esta tendência global não se limita à transparência administrativa mas é também uma profunda mudança no paradigma actual de governação da cidade no sentido de uma colaboração cada vez mais próxima dos cidadãos e das comunidades.

Os dados abertos, aliados a mecanismos para a sua publicação e actualização sistemáticas, permitem aos cidadãos, empresas e organizações não governamentais um melhor escrutínio da utilização dos recursos públicos.

Da mesma forma, académicos, jornalistas e activistas sociais reforçam a sua capacidade de recolher dados e analisar o funcionamento da cidade conseguindo, consequentemente, comunicar de forma mais clara e objectiva a realidade dos factos, em vez de se basearem em informações ideologicamente enviesadas.

Assim, todas as forças vivas da cidade passam a poder ser verdadeiros actores das políticas urbanas, construindo colectivamente medidas e iniciativas concretas para a resolução dos desafios comuns.

Estas políticas de transparência podem contribuir para a criação de um ecossistema de inovação que aproveite e utilize o potencial dos dados abertos disponibilizados publicamente. Iniciativas de inovação aberta que lancem desafios às empresas e às comunidades locais para a resolução de problemas concretos da cidade, de acordo com as suas prioridades políticas, são a base de uma nova forma de governar que se baseia no conhecimento local e na construção de soluções colectivas criadas pelas pessoas para as pessoas.

A abertura de dados para um ecossistema inovador, respeitando os direitos de segurança da informação e privacidade dos indivíduos através da agregação e da filtragem da informação a ser publicada, tem a capacidade de estimular mais e melhores serviços públicos de forma mais rápida e económica, seja através de iniciativas públicas, privadas ou comunitárias, em colaboração com as autarquias.

Apesar de a tecnologia proporcionar condições ideias para a transparência, devemos recusar o determinismo tecnológico. As cidades são estruturas de uma tal complexidade que é impossível ambicionar geri-las e controlá-las recorrendo apenas à recolha, tratamento e análise de dados, abertos ou não, através de algoritmos de decisão por mais detalhados e rigorosos que estes possam ser.

Não há tecnologia, por mais inteligente que seja, capaz de se sobrepor à acção do Homem e à sua capacidade de resiliência, imaginação e adaptação.

A cidade é a polis, base da democracia, fundada na participação das pessoas. A verdadeira cidade inteligente, funcional e transparente usa a interacção com as pessoas como meio de melhor gerir o bem comum e de fomentar a igualdade e a justiça social.